Magistério: O ofício glorioso da democracia e da....

Postado por em 02/08/2017

Magistério: O ofício glorioso da democracia e da inclusão. Será?

Sempre valorizei o professor. Merece todo meu respeito e admiração. Porém, descobri  que ele é um ser humano falho, como todos nós, que não é valorizado como deveria, recebe um salário muito abaixo de sua formação e responsabilidade, não  têm apoio de seus superiores, está vulnerável  à violência dentro das salas de aulas quase sempre lotadas.  Não é, definitivamente, um deus ou uma deusa.  Eles fraquejam. E erram feio.

A minha opinião é que o professor tem sim uma missão muito valiosa. Quem opta por esse ofício deveria saber disso.

Muito mais do que passar conteúdos escolares, ele é responsável  pela formação  de seus alunos, sim! São muitos os que destilam o surreal “clichê”: EDUCAÇÃO VEM DE CASA.  Concordo que valores e bons exemplos vêm da família. E quando não há casa? E quando não há família estruturada? Onde crianças vindouras de situação de risco social vão encontrar aconchego, respostas às suas inquietações e principalmente bons princípios?  Deveria ser na escola. Porém, infelizmente, nosso sistema educacional não corresponde a essa realidade.

Professor é formador de cidadãos. Professor precisa dar exemplo e incluir seus alunos com problemas. Agregá-los ao grupo. Dar exemplo de superação e tolerância. Ele está no comando.

Esta é apenas uma introdução para o meu relato.

Hoje soube que a professora de meu filho não quer mais dar aulas para ele. A diretora alega que não pode interferir. Se ela não pedir transferência fica difícil remanejá-la.  Meu menino tem traumas da primeira infância (ele está comigo desde os quatro anos),  tem transtornos (TDAH e TDO) diagnosticados  e com laudos enviados à coordenação. A educadora  foi devidamente informada de cada detalhe por mim mesma, antes do início das aulas. E ela se esforçou para se instruir, conhecer os transtornos e se informar para poder ajudá-lo. Preciso reconhecer esse esforço.

Há dois meses, durante um surto, ele a empurrou e puxou seus cabelos. Tentei falar com ela, porque fiquei arrasada, extremamente triste por ela. Soube nesse dia que ela havia feito um boletim de ocorrência na delegacia do bairro. Além disto, contou-me que o ameaçou e o chamou de covarde. Então, automaticamente minha tristeza passou. Ela se vingou. Empatou.

Ela alega que está traumatizada, com depressão e não consegue sequer pensar em olhar para ele. Está sofrendo. Eu não acredito nela. Acho que o sentimento é outro: raiva. Porque foi agredida na frente dos outros alunos. Ela mesma me disse que se sentiu desmoralizada e isto não tem volta.  Perdeu a oportunidade de dar uma lição de tolerância e perdão. Ela é a autoridade. Ela deveria ter o controle.

Os terapeutas e a psiquiatra do CAPS aonde ele se trata, já informaram à escola a dificuldade que a criança apresenta em controlar seus impulsos agressivos e sua baixa tolerância à frustração. E o melhor manejo para estabilizá-lo já foi relatado diversas vezes.

Não adianta. Alguns educadores não se convencem.  Preferem debitar na conta dos pais e sua falta de limite e capacidade em educar e na voluntariedade da conduta agressiva de uma criança de apenas nove anos.  

Minha inquietação: Quando vão se convencer que estas crianças precisam mais de ajuda do que críticas e julgamentos?

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