Birra X Transtorno: eu sei a diferença

Postado por em 21/04/2017

Uma queixa recorrente de mães e pais de crianças e adolescentes que são portadores de TDAH e TDO, é a desconfiança de que essas patologias sejam frutos apenas de falta de limite, de educação. Eu mesma, esta semana, fui abordada pela professora do meu menino com um argumento que remete a um puxão de orelhas: Passou algumas dicas de como lidar com a malcriação do garoto. Pois bem. Vamos começar a separar o joio do trigo, certo? Eu me orgulho de ser uma mãe experiente. Tive minha primeira filha com menos de 25 anos. Ela era um bebê birrento. Ela era uma criança mimada (eu trabalhava e minha mãe ficava com ela). Era cheia de dengos. Confesso que sentia uma certa culpa por trabalhar tanto e deixá-la meio esquecida. Sabe, erros que uma mãe de primeira viagem comete. Era insuportavelmente birrenta. Ainda nas fraldas, batia a cabeça no chão quando não fazíamos o que queria. Levá-la ao supermercado era uma empreitada suicida. Jogava-se no chão, fazia escândalo. Com apenas três anos, numa loja de calçados, quis uma mochila que acabei comprando depois de mobilizar todos os vendedores e clientes. Um vexame. Aos cinco anos, quando nasceu minha outra filha, novos dramas. O ciume da irmã combinado com seu temperamento mimado, Só por Deus. Lembro que aos sete anos já estava bastante estabilizada. Apresentava algumas dificuldades com os amiguinhos, porque gostava de tudo certinho. Volta e meia se metia em confusão, em brigas. Na adolescência também. Uma jovem muito firme em seus princípios, meio briguenta, gênio forte e uma pessoa que despontava perfeitamente normal. Estudou muito, trabalha muito e continua uma carreira de muito sucesso. É uma pessoa honesta, batalhadora e caridosa. Uma mulher perfeitamente normal em todos os sentidos. Bem, estou contando tudo isso porque hoje eu e ela estávamos conversando a respeito. Traçamos um paralelo entre ela, criança, e o seu irmãozinho caçula, portador de TDO E TDAH. São quase as mesmas reações e os mesmos dramas. Porém com ela, bastava um castigo, uma conversa dura e ela regredia, se conscientizava, aceitava. Nunca teve prejuízo social ou acadêmico. Com o Renato não existe a mesma resposta. Ela era uma criança feliz, ele, como muitos outros, sofre por não fazer amigos, por não aprender o conteúdo da escola, por não conseguir controlar seus impulsos. Esta experiência que tenho com meus filhos evidencia o que cansamos de tentar explicar. Não confundam por favor: criança mal acostumada, mimada é fácil de resolver. A criança com transtorno é complicado, precisa de tratamento. Se me propus a expor minha experiência é porque vejo o sofrimento de outras mães que são consideradas incompetentes por pessoas que não sabem do que estão falando. Se precisar, mostre este depoimento para alguém que não acredita. Mostre a diferença. Temos que começar a falar com propriedade, com a cabeça erguida e não aceitar mais este tipo de julgamento.    Roseny F. Feijó

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