Fé e dedicação

Meu sobrinho apresentou um comportamento de desenvolvimento precoce desde os primeiros anos de vida. Tinha uma saúde perfeita até o nascimento da irmã quando ele tinha 2 anos e 3 meses. Começou a adoecer com muita frequência. Entrou para a escola infantil e os problemas de comportamento que já aconteciam em casa, começaram a aparecer. Não obedecia à professora, fazia birras e não interagia com os colegas. Com o tempo, os professores adotaram a postura de deixar ele quieto até que se acalmasse e por si resolvesse fazer as atividades em sala. Isso deu certo até ele entrar para a escola regular, chamada de inclusiva. O ambiente completamente diferente da escola anterior, muito maior, muitas crianças e menos proximidade com os professores, só fez com que as crises ficassem piores. Não oferecia resistência em ir à escola, mas chegando lá não fazia nada, nem sequer tirava o caderno da mochila e ficava agressivo jogando coisas para o alto, empurrando as carteiras. Ninguém sabia como lidar com isso, os professores e supervisoras o consideravam como uma criança birrenta e mimada e ligavam para irmos buscá-lo antes do término das aulas. Por recomendação da primeira escola o coloquei na psicoterapia, pois estava certa de que havia algo errado, mas a mãe o tirou da terapia mesmo com a professora dizendo que estava vendo melhoras. Enquanto isso procuramos pediatra e neurologista que foram unânimes em dizer que ele precisava de psicoterapia, mas a mãe se recusava a aceitar que havia algum problema. Isso perdurou por todo o 1º ano da educação básica. Eu era chamada na escola e não sabia mais o que argumentar , pois éramos vistos como permissivos do mal comportamento dele. Cheguei a pensar se era algo espiritual, pois nas crises ele ficava irreconhecível. Felizmente eu nunca perdi a fé em achar uma solução, mesmo indo contra a mãe, até que um dia Deus me enviou a resposta: um primo de 8 anos foi diagnosticado por uma psiquiatra infantil com TDO e minha tia sabendo da situação que estávamos passando, na hora que conheceu o diagnóstico, relacionou com os mesmos sintomas que meu sobrinho apresentava. Depois de insistir consegui passar os textos sobre TDO para a mãe e para a avó que se convenceram de que poderia ser o caso dele e agora estão dispostas a procurar ajuda especializada, o que deve ocorrer na próxima semana pelo SUS, porque não temos condições financeiras para buscar um atendimento particular em Belo Horizonte. A consulta com psiquiatra que diagnosticou meu primo custa R$250,00. A professora também foi informada do potencial diagnóstico, o que tem facilitado o convívio com ele em sala de aula. Em breve espero trazer novidades boas sobre o caso dele.

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