Um resuminho da minha história com um filho TDO e TDAH.

Olá! Sou mãe de duas crianças, Helena (10 anos) e Henrique (6 anos). Meu filho não apresentou nenhum problema até completar 1 ano de idade, porém nunca foi uma criança risonha. Quando foi para a escola com 1 aninho (pois eu iria voltar a trabalhar) começou a apresentar um comportamento birrento e auto agressivo. Sempre que ia busca-lo na escola a professora dizia que ele havia se mordido e batido com a cabeça no chão ou na parede diante de uma frustração. Essa irritabilidade aumentava a cada mês e quando chegava no meio do ano eu não retornava ele pra escola, pois achava que ele não havia conseguido se adaptar . Então ele ficava com as avós, no entanto o comportamento irritadiço permanecia igual. No ano seguinte foi para a escola novamente e a situação se repetia e no meio da ano ele deixava de frequentar a escola pelo mesmo motivo citado acima.


Resolvi leva-lo ao psicólogo quando ele estava com 3 anos, ele ficou um ano em terapia, a psicóloga deu uma relatório dizendo que ele não tinha nada e que o problema estava comigo e com o meu marido rsrs...Mas eu disse para a psicóloga que eu desconfiava de TDO, pois já tinha lido sobre o assunto e achava muito parecido com meu filho. Ela discordou. Comecei a ser chamada na escola com frequência, pois ele era extremamente agitado, incomodava os coleguinhas e na impulsividade batia nas crianças. Sempre fui sincera com a escola e relatava tudo que estava fazendo para tentar descobrir o que havia de errado com meu filho. Pedagogicamente ele só apresentava problema para escrever, dizia que sua letra era feia e que os amigos sabiam mais do que ele, mas estava atingindo os objetivos daquele nível. A coordenadora disse que ele é muito inteligente, mas seu comportamento atrapalha o desenvolvimento das atividades. por exemplo: uma atividade em grupo ainda é impossível para ele. Não aceita a opinião dos outros e nunca sede diante da sua vontade. Quando estava com 4 anos e meio levei ao psiquiatra que solicitou uma avaliação neuropsicológica. Desconfiamos de um autismo leve, TDAH e eu, TDO. Nesta fase ele começou a apresentar um tipo de "tique", fazia movimentos repetitivos com as mãos (para frente e para trás) quando via uma bola rolando, um pneu de carro girando, ventilar ligado etc... Fiquei apavorada!!! Entrei em depressão, comecei a rejeitá-lo e perguntar pra Deus porque ele havia me castigado. 


Pensava que a única solução seria eu morrer. Minha mãe me ajudou muito nesta fase. Eu cheguei a dizer para o Henrique que não queria mais ser a mãe dele e que minha vida havia acabado com a nascimento dele. COMO PUDE FALAR ISSO!!!!? PEÇO PERDÃO TODOS OS DIAS POR ISSO. Fui pra terapia que me ajudou muito. A neuro psicóloga deu um relatório dizendo que ele tinha um transtorno hipercinético que vai além de um TDAH. O psiquiatra receitou Risperidona que não deu certo, passou para Neuleptil, que não deu certo, mudei de psiquiatra e a médica receitou Tofranil e Depakote que aparentemente melhorou o quadro do meu filho. Ele continua na terapia de grupo com a psicologa. Ela o adora e disse que tem dúvidas quanto ao diagnóstico, pois com ela ele é tranquilo. Minha visita na escola é frequente, essa semana mesmo fui chamada, pois um grupo de mães se uniu para questionar a diretora, porque ninguém faz nada com ele e porque ele ainda está na escola. Bom...na escola o comportamento dele é idêntico aos já relatados por aqui no site. Grita com a professora, rasga as atividades, quebra lápis, já tentou bater na professora, jogou cadeira etc... Ah! quando ele tinha 3 anos ele se frustrou e deu um soco na janela de vidro da brinquedoteca da escola, cortando a mão. Sempre após esses acontecimentos ele se arrepende, diz que não sabe porque fez aquilo e que não consegue se controlar.


Um dia destes ele me disse que sabe que me faz sofrer, mas que ele também sofre e que ele não queria ser nervoso. Pensa??? Ouvir isso de uma criança de 5 anos?? Isso partiu meu coração!!! Hoje estou tentando ter mais e mais paciência, acolhê-lho nos momentos de crise e transmitir AMOR muito AMOR, pois acho que só assim conseguiremos passar por tudo que há de vir.


Voltando ao assunto das mães da escola....a diretora foi muito bacana, pois marcou uma reunião individual com cada mãe, para que o grupo não ganhasse força (eu acho), esclareceu a cada uma o problema com o Henrique e disse que não consideram como indisciplina os atos dele, disse ainda que os pais são super presentes e que o meu filho já está em tratamento. A diretora nos chamou apenas para dizer que abriu o caso dele para tentar acalmar as mães (com seus filhos "perfeitos"). A diretora disse ainda que o Henrique não é agressivo, pois ele não tem a intenção de bater, ele age no impulso e sempre dá um empurrão ou coisa assim. Eu, diante disso me dispus a ir até a escola dar uma palestra sobre o assunto TDAH e TDO caso seja necessário. Não sei se agi certo, mas foi o que me veio na hora, numa tentativa desesperada de ajudar meu filho. Bom esse é um resuminho da minha história com um filho possivelmente com TDAH e TDO, pois inda não tenho um diagnóstico fechado. Abraços, força e fé pra todas nós!!

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