Como minha filha diagnosticada com TDO melhorou.

Esse ano foi um ano muito difícil para mim, o pior até hoje. A minha historia foi muito parecida com a da Sandra, quando eu estava no meio do furacão lia o blog dela e parecia que ela escrevia sobre os meus dias.


Tenho uma filha, que hoje está com 8 anos, nossas histórias são parecidas, também com pai ausente e de um dia para outro minha filha acordou diferente, tudo mudou e meu mundo desabou, nunca sofri tanto, as mesmas agressões, os mesmos gritos, as tentativas de pegar facas e outros objetos, tudo, exatamente tudo que ela relata eu passei.


Também fui a vários médicos, fui a pastores, a benzedeiras, chamei radiestesista para ver a energia da casa, o que me falavam que podia resolver eu fui, se me dissessem que no fundo do oceano teria uma pedra que resolveria, eu teria ido buscá-la.


Cada psiquiatra falava uma coisa, e um bem renomado, indicado pela própria pediatra que cuida dela desde que nasceu, diagnosticou o Transtorno Desafiador Opositivo. Tudo se encaixava, tudo que eu lia sobre o assunto batia. Minha filha começou o tratamento, tomava vários remédios, entre eles a Risperidona, ficava sonolenta, não tinha mais aquela alegria de antes, mas mesmo com a medicação, a agressividade continuava. A diferença entre nossas histórias é que minha filha não ia pra escola de jeito nenhum, quando ia para fazer as provas eu tinha que ficar junto na sala de aula e a qualquer coisa mínima ela me agredia ali mesmo.


Foi muito difícil, ouvia pessoas dizendo que o que faltava era uma palmadas, o que eu confesso cheguei a dar algumas.

Minha historia de 10 meses dá pra escrever um livro, mas vou resumir. Graças a Deus a pediatra de minha filha não aceitou o diagnóstico de TOD e insistiu que eu fizesse um exame do lítio, coisa que nenhum dos psiquiatras pediram. 


Muitos psiquiatras não concordam que a falta do litio cause algum problema, vocsê podem pesquisar na internet e há muitas contradições, mas a pediatra insistiu e fizemos, um exame super barato e o resultado deu que estava muito abaixo da normalidade. O normal seria de 0.60 e o dela estava 0.10.


Nem a pediatra e nem a psicóloga dela aceitaram o diagnóstico. Segundo a psicóloga o TOD é muito difícil de ser diagnosticado e hoje os psiquiatras vão dando esse diagnóstico para todo comportamento que eles não conseguem compreender, como a virose (toda dor de barriga e vomito é virose).


Como a pediatra não podia receitar o Carbonato de Lítio por não ser psiquiatra, me encaminhou para um jovem psiquiatra que atendia na clinica dela, ele parabenizou a pediatra e concordou plenamente com ela.


Iniciamos o tratamento com o Carbonato de Lítio e fomos tirando a Risperidona e demais calmantes ao poucos, quando os demais remédios foram tirados percebemos que eles não faziam efeito nenhum. O carbonato de Lítio tem que começar em doses pequenas, pois ele não pode subir rapidamente. No primeiro mês foi de 0.1 pra 0.10 e a diferença já era enorme, no segundo mês foi pra 0.15 e agora já está no normal de 0.60. O mais demorado é achar a dose certa e estabilizar, pois ele não pode passar da taxa de normalidade.

No dia 02 deste mês minha filha voltou para a escola no período inteiro, ela está a mesma criança de antes desse terremoto ter passado em minha vida, voltou a ser a mesma criança alegre que faz amizade com todo mundo, voltou para as aulas de tênis (desde o inicio disso tudo ela parou tudo, aulas de ballet que ela adorava, capoeira, tênis e escola), foi emocionante os primeiros dias que fui busca-la na escola e a vi saindo junto com os amiguinhos, chorei muito e agradeço a Deus, a psicóloga e a pediatra todos os dias. O psiquiatra me explicou que a fase que o nosso organismo mais precisa do lítio é dos 6 as 20 anos e que talvez ela tenha que tomá-lo para sempre ou pode ser que depois dos 20 anos, quando ela estiver mais madura, consiga se controlar sem a ajuda do remédio, disse também que já nascemos sem esse hormônio, é mais provável que seja genético e que só começa a fazer falta nesse fase dos 6 anos, ele disse que o lítio é como se fosse um carvão para nosso organismo e quando não temos, o organismo não tem o combustível para queimar, o que pode gerar a parte agressiva ou o contrario, a criança pode ficar depressiva e sem vontade para nada.


Não quero gerar expectativas nos pais, mas seu eu puder ajudar pelo menos uma criança com esse depoimento, me sentirei imensamente feliz.


Estou muito feliz agora e percebi que tive que passar por isso pra aprender muitas coisas, minha filha teve que sofrer tudo isso pra eu me tornar uma pessoa um pouco melhor.


Ela ainda vai continuar fazendo tratamento psicológico, pois tudo isso gerou uma perda muito grande para nós todos, os julgamentos, as palavras ruins de pessoas que não podiam imaginar o dano, as minhas próprias reações contra as atitudes dela, tudo isso demora um pouco pra ser reconstruído, mas o mais importante é que minha filha voltou.


Agora vejo que muitas pessoas, inclusive na minha família, podem ter a falta de lítio e nem suspeitarem, que muitas crianças e adolescentes que são classificados como rebeldes poderiam ter suas vidas melhoradas, mas ainda não tenho sua força e coragem para fazer um blog e tentar melhorar a vida de nossos semelhantes, mas penso muito nisso.


Sandra espero que você e seu filho consigam ter paz, que é o principal em nossa vida. Se minha informação não puder te ajudar, Deus com certeza te ajudará todos os dias a passar por essa fase tão difícil.

 

 

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