Para sempre uma mulher incompleta

Hoje estou aqui para contar um pouco da minha história e trocar experiências. Minha luta começou aos 3 anos de idade da minha filha quando já comecei a perceber alguns comportamentos inadequados dela. Foi quando a levei pela primeira vez a uma psicóloga. Ela sempre suspeitou de TDAH, pelos relatos e comportamentos. A partir daí não parou mais a batalha de terapias e lutas diárias em casa com os comportamentos difíceis: dificuldade de aceitação de regras, comportamento agressivo ás frustrações; desobediência; bagunça extrema; dificuldade no relacionamento com os amigos na escola, etc... Toda semana tinha bilhete na agenda falando sobre comportamentos agressivos, dificuldade em aceitar as regras em sala de aula e nervosismo. Desde então a luta e as decepções não paravam mais! Levei no psiquiatra a primeira vez ela tinha cinco anos. Iniciou o tratamento com um medicamento que não surtiu efeito e depois corremos pra outros e tentamos outras medicações! Com sete anos levei pra fazer o teste neuropsicológico que não deu resultado conclusivo devido à idade. A luta diária com mudanças de escola por 5 vezes, as idas à escola pra resolver confusões que ela causava, os comportamentos em casa cada dia pior, não fazia lição, não queria tomar banho, escovar dentes, maltratava a mim e aos avós. Começou a praticar pequenos furtos na escola e na casa de amigos e parentes. Começou a depredar coisas do condomínio, a cuspir no espelho do elevador, quebrar as coisas e etc... Passado um tempo, nem terapia e nem remédios, nada surtia efeito, até um dia que ela ameaçou enfiar uma faca na barriga pelo simples fato de não gostar da capa de um caderno que eu havia comprado para o início das aulas. Foi aí que fui obrigada a tomar a atitude mais difícil da minha vida. Coloquei ela no carro e fui pra um hospital psiquiátrico onde inacreditavelmente ela passou 45 dias. Eu fiquei treze dias com ela, direto. Até que o psiquiatra que estava cuidando dela lá pediu que eu me ausentasse porque não estava contribuindo para melhora dela. Agora imaginem vocês amigas, uma mãe ter que deixar sua filha de 11 anos de idade num hospital psiquiátrico e ter que vir embora para casa? Deixar a filha em um lugar que você nunca viu na vida, na mão de cuidadores. Eu não tenho palavras pra descrever o que é estar com sua filha em um local desse. É algo surreal. Passados os 45 dias ela voltou pra casa, ficou bem uma semana e depois todo aquele comportamento anterior voltou. Eu em um esgotamento físico e emocional sem palavras. Tivemos novos episódios de crises e escândalos e foi então que tomei a segunda atitude mais difícil da minha vida, que está me fazendo sofrer horrores:  eu e o pai decidimos em comum acordo que eu precisava me cuidar e ele precisava me ajudar nesta situação. Resolvemos que ela iria morar com ele, já que este era o desejo dela desde que nos separamos. Eu passei a guarda porque não tenho vergonha em dizer que a qualquer hora nós íamos nos matar aqui dentro de casa ou eu acabar enfartando de tanto nervoso Hoje o diagnóstico e TOD e TDAH, toma vários remédios que fizeram ela engordar absurdamente. A minha vida é assim: depois de tudo, eu fiquei sozinha, sem apoio, sem pensão, sem nada e sem ela por perto. Para piorar, eles se mudaram para interior que fica há uma hora e meia de São Paulo e eu não consigo acompanhar o dia a dia dela, o pai tem um comportamento bastante difícil também, não está permitindo que eu me envolva mais em nada, nem as consultas do psiquiatra quer mais que eu vá! Sou uma mulher pela metade. Nada me deixa feliz, exatamente nadaaaa! Sinto-me impotente de não conseguir estar com ela e nem ajudar para que ela melhore o comportamento. Entreguei nas mãos de Deu.  Amigas me preocupo demaissss com o futuro. Costumo falar que só não passo receita, porque conheço todas as patologias, os remédios e sei reconhecer todos as atitudes suspeitas, sei dizer todos os efeitos dos remédios e etc. Aqui fica um alerta a vocês, pais: procure tratar o TOD com muita eficácia e seriedade, porque se não tratado da forma correta, ele progride para transtorno de conduta e de personalidade, que são aquelas pessoas tipo Suzane Ritchtofem, sem sentimentos e arrependimentos, pessoas frias e calculistas, que não se arrependem, roubam, se drogam, bebem, tem vários parceiros sexuais, além de depredar as coisas, monumentos com atos de vandalismo. Só nos resta orar muito pelos nossos filhos, porque a coisas que somente a medicina e os remédios poderiam ajuda-los, o resto já estamos fazendo. A paciência é curta para com alguns comportamentos, mas precisamos amá-los, apoia-los, porque eles sofrem muito também por serem assim! 

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