O Lúdico como Instrumento de Intervenção....TDAH

Postado por em 14/09/2016

O LÚDICO COMO INSTRUMENTO DE INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA EM APRENDENTES COM DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIDADE (TDAH)

 

Andreya Alves Almeida  

Cristiane de Souza Amaral ²

 

RESUMO

O presente trabalho aborda as contribuições do lúdico nas intervenções psicopedagógicas para alunos com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade). Nesta perspectiva, a questão-problema consistiu em investigar em que medida o lúdico contribui na intervenção psicopedagógica em Aprendentes com TDAH, com a pretensão de apresentar tal instrumento como facilitador nas modificações das funções executivas mentais destes sujeitos. Desta forma, para fornecer subsídios para tal questionamento, o percurso metodológico foi fundamentado no método dedutivo, com abordagem qualitativa, utilizando-se de pesquisa bibliográfica através da técnica de fichamento inspiradas em Barros (2002), Bassedas (1996), Brenelli (1996) e Santos (2009). Conclui - se que a intervenção psicopedagógica, utiliza-se de instrumentos como jogos de estratégias, que trabalham a concentração e a memória, são sugestões que auxiliam no desenvolvimento do processo de ensino da aprendizagem e a superação das dificuldades que os aprendentes com TDAH enfrentam diariamente em diversos contextos sociais, a citar no espaço escolar inclusivo.  

  Palavras-chave: Lúdico, intervenção psicopedagógica, TDAH, aprendentes.   

 

Introdução

O lúdico ocupa um espaço importante na intervenção psicopedagógica especialmente aos aprendentes com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) que apresentam três subtipos, dos quais distintamente caracterizam a predominância como o desatento, o inquieto e o combinado, fazendo os aprendentes a conviverem com dificuldades na aprendizagem e na vida social.

Conforme Rohde e Benczik (1999), Cerca de 25 a 30% das crianças e adolescentes com TDAH apresentam problemas de aprendizagem secundários ou associados ao transtorno. Quanto a Bonadio e Mori (2013), estes esclarecem que crianças com TDAH evitam atividades como leitura, jogos e brincadeiras que exigem atenção, persistência e organização para concluí-las, pois ruídos e estímulos desconhecidos por outras crianças atraem a atenção delas, o que faz com que interrompam as atividades que estavam sendo desenvolvida, nesses casos a intervenção psicopedagógica é essencial. 

O lúdico para o aprendente com TDAH, implicitamente revela sua relação afetiva consigo e com o mundo. Desta forma, apresenta – se a função do lúdico no desenvolvimento das funções executivas, possibilitando experiências significativas e lógicas, logo que o lúdico desenvolve funções terapêuticas composta de infinitas possibilidades e descobertas.  Considerando a introdução da terapia por medicamento aos casos em que a distorção do comportamento impeça o sucesso do sujeito e que seja por meio do mapeamento minucioso do mesmo. Para Piaget (1971):

A ação direta do aluno sobre os objetos do conhecimento, com o equilíbrio das estruturas cognitivas é o que gera aprendizagem, pois esta é sustentada pelo desenvolvimento cognitivo. Portanto, ao jogar, a criança passa a ser um sujeito ativo na construção de seu conhecimento. Além de possibilitar a construção ativamente em seu aprendizado. 

Neste momento, o brincar ou o aprender brincando, estabelece com o aprendente uma relação de atenção e o pensar, ambos necessários para que a aprendizagem aconteça. A ludicidade oportunizará a estratégia e o raciocínio lógico para desenvolver as regras, além de promover as atenções: sustentada, dividida e seletiva, mantendo-os envolvidos no processo de ensino e da aprendizagem. 

A intervenção psicopedagógica concomitante no espaço que respeita as diferenças e uma equipe pedagógica que compreenda as causas e implicações desta disfunção neurobiológica favorecerá o desenvolvimento e a ativação dos neurotransmissores, de inúmeras funcionalidades entre elas cognitivas, de raciocínios, noções lógicas, atenção, tipos de memórias, pensamento, etc. Confirmando teorias bibliográficas revisadas que aplicadas a prática, os resultados são percebidos mediante os objetivos apontados, que se deseja alcançar, a partir das atitudes, procedimentos e conceitos das estratégias aplicadas. 

Realizar estudos discutindo a importância do lúdico na intervenção psicopedagógica foi um determinante neste período, considerando o número de aprendentes com TDAH nas escolas em que atuamos durante a nossa trajetória profissional, tanta na Sala Comum do ensino regular, quanto nas Salas de Recursos Multifuncionais. Percebemos as dificuldades dos professores em lidar com esta dinâmica cada vez mais comum nas instituições educativas, buscando através deste aprofundamento descobrir formas, estratégias e possibilidades de reduzir as implicações sintomáticas dos aprendentes incluindo os devidamente no espaço escolar inclusivo e reforçando a orientação metodológica dos educadores. 

 

O que se pode entender por TDAH: suas causas e implicações no processo de aprendizagem.

Segundo a ABDA (Associação Brasileira do Déficit de Atenção), TDAH é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. É caracterizado por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Em alguns casos apresenta – se paralelo a outros transtornos como o transtorno de conduta e o transtorno opositor desafiante, depressão, ansiedade, hiperatividade exagerada, impulsividade e desatenção. 

Para Relvas (2011) o TDAH não é um transtorno de Aprendizagem (TA), mas os sintomas são desatenção, impulsividade que afetam secundariamente a aprendizagem. Nesta perspectiva destaca – se que a aprendizagem depende da maturidade neurológica, a atenção e o interesse, além da funcionabilidade adequada para captar os estímulos no processo de ensino e da aprendizagem.

Mesmo que existam todas as características acima citadas, cabe analisar a história do indivíduo, pois o Manual de Transtornos Mentais (DSM IV), a partir de predominâncias e variações classifica o TDAH em três subtipos:

 

• Predomínio de sintomas de desatenção, tais como: não enxergar detalhes ou cometer erros por descuido em atividades escolares e de trabalho; apresentar dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas; perder objetos necessários para determinadas ações, etc.

 

• Predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade: agitar as mãos ou os pés ou se remexer na cadeira; correr ou escalar em demasia, em situações nas quais se espera que permaneça sentado; dar respostas precipitadas antes das perguntas terem sido concluídas; interromper ou se meter em assuntos dos outros, etc.

 

• TDAH combinado: caracteriza-se pela combinação dos dois tipos anteriores, contudo está mais fortemente associado aos sintomas de oposição e de desafio, além disso, apresenta um maior prejuízo no funcionamento global do sujeito. 

 

Para Saul Cypel (2007) TDAH é compreendido como um transtorno que afeta principalmente o funcionamento do lobo frontal do cérebro, responsável, entre outras atividades, pelas funções executivas (FE) e de funções como: a atenção; a capacidade que o indivíduo possui de auto estimular-se; conseguir planejar-se, traçando objetivos e metas; controle dos impulsos; controle das emoções e a memória que depende da atenção, pois, o cérebro da pessoa que possui hiperatividade gera novas estimulações, mantendo sempre a pessoa em estado de alerta.

 

Por meio das ações expostas para Farrel (2008) é provável que o aluno com TDAH seja capaz de responder às atividades propostas com mais autonomia e atinja o objetivo de finalizá-las integralmente, crianças com TDAH gostam muito de novidades, de explorar o seu cotidiano.

 

Considerado uma das condições clinicas mais diagnosticada e estudada quando comparadas a outros transtornos, o TDAH é de origem genética (em 80% dos casos) e afeta entre 3 e 5% em idade escolar. Segundo Saul Cypel (2007), o TDAH é compreendido como um transtorno que compromete principalmente o funcionamento do lobo frontal do cérebro.

 

O indivíduo com TDAH apresenta dificuldades para concluir ou até mesmo começar suas atividades escolares. Isto é um dos inúmeros motivos de rotulação (aluno insuficiente) e até mesmo de brigas no âmbito familiar. Dificuldades com a leitura (dislexia), com a matemática (discauculia) e com a escrita (disortografia), explicam situações que frequentemente podem ocorrer com crianças com esse transtorno. 

 

É importante ressaltar que a maioria das crianças e adolescentes com TDAH são diagnosticadas tardiamente e infelizmente já existem lacunas de aprendizagem que necessitam ser sinalizada por meio de um trabalho de reconstrução de habilidades e conteúdos. 

 

Portanto, Rohde e Benczik (1999) sugerem que as reconstruções dessas habilidades devem ser feitas por um profissional especializado (psicopedagogo ou fonoaudiólogo), pois o tratamento sintomatológico ou de reforço de conteúdo não resolve as sequelas de aprendizagem que ficaram para trás. 

 

O TDAH é uma das dificuldades mais comuns enfrentadas por alunos e professores no espaço escolar. Além da abordagem de um trabalho multidisciplinar, pode – se recorrer o uso de medicamentos específicos em aprendentes a partir dos seis anos de idade. Embora no Brasil o metilfenidato seja considerado extremamente eficaz ao mesmo tempo torna–se polêmico. Alega – se que o metilfenidato é semelhante à anfetamina, logo que ambas as substancias causam os mesmos problemas de que deveriam tratar: hiperatividade, compulsão e desatenção.

 

As pesquisas realizadas nesta linha levantam também hipóteses que as substâncias citadas agem no cérebro como a cocaína, acreditando na toxicodependência do que aqueles que não fazem uso da medicação. A substância assim como a cocaína altera todo o perfil biodinâmico dos usuários causando os mesmos efeitos devastadores do entorpecente.

 

Considerando as análises dos estudos realizados em torno do metilfenidato, para Olivier (2011) é necessária muita analise antes de ser aconselhado ou prescrito a um aprendente. Entretanto, é necessário compreender que o uso do medicamento tem sua indicação em casos nos quais a alteração de comportamento é intensa, e as orientações dadas aos pais, à escola e as medidas psicoterápicas não se mostraram eficientes. 

 

Quanto ao uso de remédios, é importante a individualização de cada caso, para se definir precisamente quais as condições, quais os vários fatores que participam da determinação da distorção de seu comportamento e, a partir daí, opta – se pelo tratamento mais conveniente. Isso significa a importância de um mapeamento minucioso do aprendente para investigar a autenticidade da medicalização no controle propriamente dito com o objetivo de controlar ou amenizar as dificuldades do aprendente observadas nesse processo. 

 

A questão do lúdico na intervenção psicopedagógica

Na história da humanidade desde as primeiras civilizações, o ser humano estabelece relações lúdicas consigo mesmo e com os outros. Desde as batalhas as conquistas, festejos, jogos olímpicos e cerimoniais os cenários são dotados de muita arte. 

O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. Se achasse limitado a sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar, ao brincar, ao movimento espontâneo. Porém, o lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. As implicações da necessidade lúdica superaram os limites do brincar espontâneo. Para o psicanalista Winnicott (1975):

              

É a brincadeira que é universal e que é própria da saúde: o brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde; o brincar conduz aos relacionamentos grupais. O jogo está presente como um papel de fundamental importância na educação. Jogando, a criança entra em contato com outras crianças, aprende a respeitar os diferentes pontos de vistas, e isso irá favorecer a saída de seu egocentrismo original. Raciocinar de forma lógica, lidar com regras, questões de associação, socialização e apropriação, solucionar problemas, construir hipóteses, ter personalidade ativa e desenvolver as variadas formas de linguagem entre as crianças, são algumas possibilidades de desenvolver habilidades durante atividades lúdicas. 

 

Atividades lúdicas proporcionam valores específicos para todas as fases da vida humana, seja na infantil ou na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica além de apresentar um importante papel para a saúde mental do ser humano. 

 

Trata-se de um espaço que merece atenção dos pais e educadores, pois é o espaço para expressão mais genuína do ser, é o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com o mundo, com as pessoas e com os objetos, permitindo o estudo da relação da criança com o mundo externo, agregando estudos específicos sobre a sua importância na formação da personalidade.  É através da atividade lúdica e do jogo, que a criança forma conceitos, seleciona ideias, estabelece relações lógicas, integra percepções, faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e, o que é mais importante interage com outras crianças e com o conhecimento. 

 

O lúdico tem sua função terapêutica, pois através do brincar a criança libera suas angústias, medos, stress, possibilitando maior contato social entre o grupo, e experiências significativas entre os sujeitos, visto que estas se sentem mais seguras e estimuladas para explorar e construir uma aprendizagem mais significativa no ambiente escolar, pois sentem prazer em “descobrir o conhecimento” brincando.

 

É comum que psicopedagogos como educadores, estruturem suas práticas voltadas mais para o coletivo que para o individual apostando em técnicas lúdicas para favorecer o foco de suas atuações, pois além de ter sua riqueza na natureza das relações grupais que caracteriza – se por ser um contexto propício para utilização dessas atividades para o desenvolvimento cognitivo, social, cultural e psicológico do aprendente.

 

Para Silva (2004), usar os recursos lúdicos não significa apenas brincar e sim desenvolver nas crianças a criticidade, criatividade, consciência e torná-las transformadoras, e construam prazerosamente o conhecimento e ainda seres capazes de vivenciar atitudes de vida coletiva, solidária e de participação democrática.

 

Quando o aprendente brinca, ele está lidando com sua realidade interior, representando um fator na socialização dele, pois é brincando que o indivíduo torna – se apto a viver uma ordem social num mundo culturalmente simbólico, utilizando o poder da concentração durante uma significativa parte do tempo, estimulando a iniciativa e o interesse, influenciando ainda o processo educativo no intelecto, emocional e a consciência corporal do aprendente.  Desta forma, o brinquedo estimula a representação, a expressão de imagens, que evocam aspectos da realidade. Pontes e Magalhães (2002) no diz que:

 

Cada brincadeira, em cada cultura, possui uma estrutura peculiar que a define. A estrutura da brincadeira, no geral determina o desenrolar dos acontecimentos no jogo, prevendo padrões, estratégias e sanções típicas. Assim, pode-se observar que através do jogo a criança tende a desenvolver a sua moralidade, ou seja, os seus valores morais perante a sociedade na qual se encontra. Então, a brincadeira não é inata, pois a partir dos recursos que a criança irá encontrar em seu ambiente, é que ela irá brincar, assim, a brincadeira pressupõe uma aprendizagem social, ou seja, de valores sociais.

 

Estes aspectos e características interferem diretamente no desempenho escolar, nas relações sociais e interpessoais. A criança que apresenta o TDAH é capaz de desenvolver suas funções psicológicas superiores. 

 

A criança com problema de atenção tem seu aparato orgânico preservado, o que torna possível o desenvolvimento da atenção; para isso, o professor deve assumir seu papel de organizador, não só do conteúdo escolar, mas de toda a dinâmica da sala de aula. Exigir e prender a atenção do aluno no momento da explicação ou realização das atividades escolares e evitar a distração é tarefa do professor, as quais o auxiliarão no desenvolvimento da atenção voluntária. (Bonadio e Mori, 2013, p. 148.)

 

Desta forma Bonadio e Mori ressaltam que cabe ao professor despertar o interesse imediato do aluno, quanto o trabalho de promover a atenção voluntária, na qual é preciso manter a atenção em atividades que não são de imediato interessante.

 

Portanto, os professores, ao compreender a situação do aprendente, a elaboração de rotinas para a execução das tarefas escolares, aulas de reforço, reestruturação dos horários, atividades não acadêmicas e o aumento do tempo para concluir as atividades e provas, é importante para favorecer a aprendizagem dos alunos com TDAH. Eles aprendem melhor visualmente, sendo assim, escrever palavras-chave ao mesmo tempo em que fala sobre o assunto, resulta no sucesso da prática pedagógica em relação à fixação do conteúdo pelo estudante. 

 

O TDAH não é um sintoma que aparece isolado, mas sim acompanhado por outras manifestações, com uma baixa capacidade de manter a atenção é também chamada de Distúrbio Déficit de Atenção (DDA). Isto significa que a criança não consegue se concentrar e, por isso, a memorização fica prejudicada, afetando o resultado final do seu aprendizado. Contudo, atividades com jogos e brincadeiras contribuem para o desenvolvimento da criança com TDAH. Assim Vygotsky (1984) afirma que:

 

O ato de brincar, que apresenta um importante papel na construção do conhecimento, ressalta que, através da brincadeira as crianças revelam seus estados cognitivo, visual, auditivo, tátil e motor. Considerando essas afirmações, é essencial que seja proporcionado as pessoas com TDAH constante situações de aprendizagem, utilizando diferentes tipos de linguagem e garantindo de forma dinâmica a aquisição de competências e habilidades.

 

Visto que o aprendente é um ser sociável e interage com o meio, a brincadeira e o ato de brincar se tornará um momento viabilizado na perspectiva de estimular diversas áreas do conhecimento, mas, em especial criar situações constantes de aprendizagem com articulações variadas que o desafie e proporcione descobertas.

Segundo Piaget (1998), o lúdico atua nas atividades intelectuais da criança, o que se torna indispensável para a prática de um contexto educativo. Brincando que a criança adquire aprendizado e explora o mundo que a rodeia, tomando cada vez mais conhecimento do que está a sua volta. 

 

Nesta perspectiva, o jogo vai ajudá-lo a lidar com limites e disciplina em sua vida social. Favorecendo as relações intra e interpessoais logo que, aprendentes com TDAH são imediatistas e ora inconsequentes com tendência da maioria não concluir um projeto com êxito.  

 

Segundo Lopes (2000), o pensamento de Piaget que quando se usa o jogo como prática pedagógica, ele se torna um elemento enriquecedor para promover a aprendizagem e contribuir com o desenvolvimento de muitas habilidades. 

 

As atividades lúdicas proporcionam aprendizagens significativas para as crianças com dificuldades de aprendizagem, bem como o prazer em alguns casos, pois, a criança estará aprendendo no seu ritmo, criando hipótese, chegando à conclusão e organizando suas regras. Acertando e errando com seus próprios erros e retomando para acertar novamente. Assim, sua aprendizagem será significativa e levará consigo um aprendizado que nunca se esquecerá.

 

Segundo Cunha apud Barros (2002), através dos jogos e brincadeiras grupais, a criança desempenhará seu senso de respeito às normas grupais e sociais. O jogo é um caminho para a aprendizagem das habilidades sociais. É por isso que se enfatiza a necessidade do indivíduo com TDAH aprenderem a jogar. 

Nesta perspectiva o autor valoriza a importância do aprendente participar de atividades lúdicas que também potencializam sua participação grupal logo que a impulsividade do TDAH acaba por excluí-lo das mesmas. Outro aspecto valorizado além da atenção é o desenvolvimento da memória de trabalho, aliviando os níveis de estresse e mantém o cérebro treinado.

 

 É preciso reconhecer que as crianças ditas normais possuem maiores habilidades no que se refere às atividades lúdicas e recreativas, apresentando um comportamento mais persistente, paciente e com maior nível de concentração, enquanto as com TDAH, pela dificuldade que apresentam em manter atenção em tarefas ou mesmo em atividades lúdicas, demonstram um comportamento lúdico dispersivo. Portanto, o papel do jogo, como intervenção no aluno com TDAH, é o de contribuir para melhores condições de desenvolvimento e não como forma de tratamento. 

 

Em situações em que o jogo exija um grau elevado da capacidade de atenção, concentração e paciência, o comportamento lúdico das crianças consideradas hiperativas certamente será comprometido, pois essas crianças possuem menos intensidade de jogo do que as crianças normais. Dessa forma, seu comportamento poderá ser diferente do das outras crianças. (BARROS, 2002 p.63) 

 

 

Entretanto, ao utilizar os jogos como estratégia pedagógica, o professor precisa considerar características da criança com TDAH, bem como as condições sob as quais deverá realizar as atividades, objetivando auxiliar o aprendente a desenvolver as habilidades necessárias para um bom desempenho social, emocional e cognitivo.

 

O ambiente inclusivo e a intervenção psicopedagógica: trabalhando juntos em prol do Aprendente com TDAH

 

As crianças com TDAH encontram muitas dificuldades na vida, em casa, na rua e na escola, porém a equipe escolar precisa desenvolver a consciência dessas dificuldades e principalmente deve ter um planejamento, uma estrutura e uma organização dentro do ambiente escolar especialmente na sala de aula que seja voltado para esses alunos e esses são os maiores obstáculos, pois muitos dos professores também não estão preparados para receberem alunos com estes casos, e isso torna o processo inclusivo difícil.

 

Segundo Sena (2007) a escola deve ser um ambiente onde a criança sinta-se bem, seja ela com deficiência. Porém, em se tratando de uma criança com TDAH, este precisa de alguns requerimentos especiais para que a criança enquanto aluno possa desempenha melhor seu papel, pois, ela precisa ter autonomia em tempo, direções determinadas e em ritmo compatível com as situações sociais e educativas que irão conviver diariamente.

 

É importante ressaltar que apesar da semelhança entre crianças com TDAH e crianças com Transtornos de Aprendizagem, a criança com TDAH não caracteriza - se necessariamente como uma criança com Transtornos de Aprendizagem. Pode atribuir suas dificuldades a métodos pedagógicos que não atraiam a atenção da criança para a atividade na qual ela não se desenvolve bem ou que não disponibilizam tempo a mais do necessário, isso faz com que a criança acabe perdendo também a atratividade pela mesma.

 

O educador que aceita o desafio de uma sala que contém aprendente com TDAH precisa ter a consciência que é preciso redobrar a atenção e a cada dia deixar claro algumas regras e limites, porém sem o intuito de constranger ou castigar.  Pois, para que o processo de aprendizagem desses aprendentes venha alavancar cada vez mais, é essencial também que o educador enquanto sujeito mediador conheça o universo de um aprendente com TDAH e suas dificuldades.

 

Parafraseando Sena (2007), é importante que o educador conheça o universo do TDAH e suas implicações, reconheça os seus próprios limites para lidar com o problema e não tenha constrangimento em pedir ajuda quando necessária.

Conhecendo as peculiaridades de um aprendente com TDAH, torna – se mais viável experimentar metodologias e estratégias na condução desse processo e vincular possíveis alterações na rotina.

 

Um espaço de ensino e aprendizagem que tem como objetivo incluir aprendentes com TDAH, necessariamente além de ser mediador do conhecimento precisa interiorizar que estes só serão completamente incluídos no processo quando a escola compreender que a falta de atenção e a hiperatividade serão sempre parceiros destes alunos. (RELVAS, 2011, p. 89).

 

O encaminhamento psicopedagógico, pela família ou pela escola é de fundamental importância na avaliação do aprendente com TDAH, pois, as implicações sintomáticas no processo de ensino e da aprendizagem, o psicopedagogo evita ingênuas e precipitadas avaliações, além de proporcionar a reposição do aprendente nos aspectos emocional, cognitivo e acadêmico. 

 

Este encaminhamento e a permanência no atendimento também garante o apoio terapêutico necessário durante seu trabalho escolar atuando sobre dificuldades escolares apresentadas, suprindo a defasagem e auxiliando na assimilação e acomodação dos conceitos abordados na sala de aula, assim possibilitando ao aprendente condições para novas aprendizagens. 

 

Como este profissional estará atuando em suas dificuldades específicas, criando espaços e situações para desenvolvê-las, ele também realizará intervenções necessárias junto à família e a escola a fim de que ambas venham complementar a terapia psicopedagógica realizada. 

 

O profissional pode focalizar dificuldades específicas da criança, em termos de habilidades sociais, criando um espaço e situações para desenvolvê-las, por meio da interação com a criança por intermédio de qualquer atividade lúdica. (BENCZIK, 2006, pg. 92)

 

A intervenção psicopedagógica e os métodos lúdicos faz com que desenvolve - se o espaço para o aprendente pensar. Estas estratégias podem também serem utilizadas no espaço onde acontece a inclusão escolar, logo que utiliza – se jogos e brincadeiras não apenas como fonte de divertimento, mas, especialmente como forma de promover a aprendizagem e modificarem ações diversas. 

 

Brenelli (2011) reforça que o jogo tanto na vertente da psicoterapia, orientando o psicodiagnóstico e tratamento das dificuldades de ordem emocional, como na psicopedagogia, orientando o diagnóstico e a intervenção das dificuldades de aprendizagem, ou seja, jogo na intervenção nos permite conhecer a realidade da criança.  

 

Consideramos que os aprendentes com TDAH que não possuem comorbidades de suas limitações com outras dificuldades de aprendizagem, são crianças ou adultos sem comprometimento cognitivo que desenvolvem várias competências e habilidades, o que podemos considerar capazes de desenvolver inteligências múltiplas. 

 

Assim, estes aprendentes precisam de aprendizagem em geral e da ajuda do mediador para modificar comportamentos e ações que facilitem este processo, de maneira que psicopedagogos e pedagogos busquem estratégias lúdicas para promover esta modalidade para aprendentes com TDAH ou não.

 

Como o foco é psicopedagógico, as intervenções lúdicas promoverão nos aprendentes a ativação dos neurotransmissores sem uso de medicação, que consequentemente desenvolvem a memória seletiva, a memória sustentada e a memória dividida, logo que exigirá dos mesmos o pensamento, a atenção e a estratégia para manuseio e socialização da proposta do jogo. 

 

Ao mesmo tempo em que, resgata nestes sujeitos a motivação, a autoestima, seu interesse e ainda o aprimoramento e a construção do conhecimento. Todos estes aspectos influenciam no processo de ensino e aprendizagem destes aprendentes, que a todo instante são rotulados ou sofrem bullyng por parte de professores ou colegas no espaço escolar, em que nada contribui para o desenvolvimento dos mesmos.

 

Brenelli (1996), conclui após inúmeras pesquisas tendo o jogo como estratégia de intervenção, que, as situações-problema engendradas pelo jogo durante a intervenção constituíram um ‘espaço para pensa’, no qual o pensamento da criança foi desafiado e sua atividade espontânea, responsável pelo desenvolvimento da inteligência, foi desencadeada da maneira a construir novos esquemas que ampliaram as suas possibilidades adaptativas. 

 

Contudo, neste contexto as possibilidades adaptativas que são estimuladas pelas metodologias utilizadas no processo promovem a aprendizagem e são de grande importância em sua interação com a sociedade e seu desenvolvimento integral, pois, a criança foi solicitada a agir no momento da consigna e suas ações desencadearam nas suas habilidades adquiridas, além de manifestar a seu modo sentimentos e atitudes diferentes. 

 

A intervenção psicopedagógica de modo lúdico ainda contribui no processo de mediação do psicopedagogo que promove o desenvolvimento e a aprendizagem e este vínculo modifica no aprendente os aspectos afetivos, logo que ele precisa lidar com frustração da perda e do fracasso, a empolgação e o sucesso do ganhar e além de modificar as relações sócio-afetivas de maneira positiva e o mais importante sem uso abusivo da medicação, como métodos simples e acessíveis a todos, o lúdico e a mediação de forma correta.    

 

Considerações finais

O lúdico, em suas diferentes formas é um recurso complementar e que oferece um direcionamento as intervenções psicopedagógicas e a educação em aprendentes com TDAH, mas, as possibilidades não encerram – se no jogo, e sim no contexto em que o aprendente é inserido favoravelmente no lúdico pois, oferece indicadores a respeito da estruturação cognitiva, favorece a construção de raciocínios, nas noções lógicas, favorece a construção do conhecimento no processo de intervenção destes e dificuldades de aprendizagens, objetivando a análise de procedimentos, a resolução de situações – problemas, possibilitando o uso de diferentes sistemas simbólicos, e ainda refletir sobre tudo e como encontra – se estruturado. Faz-nos refletir Almeida (2004):

A educação lúdica, além de contribuir e influenciar na formação da criança e do adolescente, possibilitando um crescimento sadio, um enriquecimento permanente, integra-se ao mais alto espírito de uma prática democrática enquanto investe em uma produção séria do conhecimento. Sua prática exige a participação franca, criativa, livre, crítica, promovendo a interação social e tendo em vista o forte compromisso de transformação e modificação do meio.

 

Quando impostas as situações diretivas que os fazem reviver os fracassos experienciados, as técnicas lúdicas neutralizam as tais situações desenvolvendo as ações positivas impostas pela intervenção lúdica, pois, os aspectos afetivo-sociais e morais estão implícitos nos jogos, pelo fato de exigir relações de reciprocidade, cooperação e respeito mútuo.

 

A psicopedagogia na vida de um aprendente com TDAH consiste na construção e desconstrução do conhecimento, oportunizando o individuo a ampliar o que se sabe, valorizando as metodologias utilizadas no espaço inclusivo e oportunizando a interação da família no processo sem subestimá lo ou torná lo vítima de suas dificuldades e assim resgatar o prazer nas situações de aprendizagem e no ato de aprender, pois, o profissional sabe que para aprender o sujeito precisa de condições cognitivas, afetivas, criativas e associativas. Ressalta Barbosa (2001):

 

Quando dizemos que a Psicopedagogia se preocupa com o ser completo, que aprende, não podemos esquecer que faz parte da compleitude deste ser a capacidade de aprender em interação com aquilo ou aquele que ensina; e que a ação de ensinar não é sempre exercida pelo professor, assim como a de aprender não é de responsabilidade somente do aluno.

 

Por fim, as intervenções lúdicas servem de interesse a todas as idades, ultrapassando barreiras com o avanço da idade que são impostas ao brincar, vindo a contribuir no desenvolvimento e na aprendizagem de modo geral e ainda subjetiva a aprendentes de diversos níveis evolutivos, que estão caracterizados no desenvolvimento da criatividade, sociabilidade e inteligências múltiplas, a participação ativa, o enriquecimento do relacionamento entre os colegas, a aquisição de novas habilidades, o aprender a lidar com os resultados independentemente das ocorrências e frustrações, lidando e respeitando as regras, realizando suas próprias descobertas por meio do brincar, além de desenvolver e enriquecer sua personalidade tornando o participativo, espontâneo, mais interativo e integrativo com autoconfiança e concentração.  

 

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