Informações sobre TDAH

Nome do profissional: Ana Larissa Marques Perissini. Formação: Psicóloga – Especialista em Psicologia da Saúde (FAMERP) – Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (FAMERP) – Especialista em Sexualidade (FAMERP) – MBA: Executivo em Recursos Humanos – Mestre pela USP. Atividade atual: Psicologia Clínica Endereço: Rua Lafaiete Spínola de Castro, 1562 – Boa Vista – São José do Rio Preto, SP.   Fone: 17 3305 4778

marcador 1. O que é o TDAH?

Diferentemente do que muitas pessoas dizem atualmente, o TDAH é um transtorno bastante antigo. Encontramos as primeiras citações do transtorno em 1865, na poesia do médico alemão Heinrich Hoffman e em 1902, com o nome de Lesão Cerebral Mínima, a primeira descrição científica. No decorrer dos anos ele continuou sendo citado com outros nomes até ser denominado em 1994 como Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade. Até o momento, a causa do TDAH é desconhecida. Porém, sabe-se que o TDAH é um transtorno neurológico (está localizado no cérebro – na região frontal onde existem alterações químicas) e que a herança genética é o seu principal fator. Alguns autores relatam que quando o pai ou a mãe tem TDAH à probabilidade de seus filhos biológicos também terem é de 40% a 57%. 

marcador 2. Como chegar ao diagnóstico de TDAH e qual a idade que consegue esse diagnóstico?

Para se chegar ao diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade é necessário que o indivíduo (criança, adolescente ou adulto) seja submetido a uma avaliação rigorosa. Para as crianças e para os adolescentes, a avaliação deverá ser realizada com os pais, professores e com a própria criança ou adolescente. Já para o adulto, a avaliação deve ser realizada com o indivíduo que suspeita ser o portador do TDAH e com algum parente próximo ou com a esposa/marido. É importante ressaltar que este tipo de avaliação deve ser realizada por profissionais especializados na temática em decorrência das entrevistas serem direcionadas ao transtorno e seus possíveis comprometimentos em diversas áreas de sua vida.  Os testes psicológicos fazem parte da avaliação do TDAH, porém, ele é um complemento da avaliação. Por existir a possibilidade de outros transtornos estarem associados ao TDAH não existe uma única bateria de testes a ser realizada no paciente e, também, não devem ser aplicados em um único dia devido às próprias características do transtorno. 

marcador 3.  Esse tipo de transtorno vem sempre acompanhado com outro ou não necessariamente? Por quê?

Nem sempre o portador de TDAH terá outro transtorno psiquiátrico associado. Percebemos que o fator idade no diagnóstico do TDAH tem uma grande importância. Quanto mais cedo o indivíduo for diagnosticado menor serão os prejuízos ocasionados pelo transtorno. Quando realizamos o diagnóstico de uma criança o fator prevenção é extremamente alto. Diferente de quando realizamos um diagnóstico em um adolescente e em um adulto, que já carregam consigo uma bagagem de prejuízos ocasionados pelo TDAH. Em grande parte das pessoas que recebo em meu consultório, esses prejuízos já deixaram as suas marcas, ou seja, algum transtorno associado como exemplo: depressão, ansiedade, uso de drogas ilícitas, etc.

marcador 4. Como é o tratamento?

Não existe um único tipo de tratamento para o portador de TDAH. Podemos dizer que o tratamento sempre será personalizado. O tratamento para as crianças, após a avaliação, inicia-se por uma análise detalhada do neuropediatra ou psiquiatra infantil e do psicólogo para verificar a intensidade e frequência dos prejuízos que o transtorno está ocasionando na vida da criança para verificar se existe a necessidade da prescrição de medicação (não são todos os portadores de TDAH que necessitam das famosas medicações). A psicoterapia com enfoque na terapia Cognitivo-Comportamental com o profissional especializado no transtorno é de fundamental importância para trabalhar com os problemas já existentes, para fazer a prevenção de possíveis problemas futuros e para trabalhar com a parte de orientação com os pais e professores. Algumas crianças, ainda, precisarão do acompanhamento com psicopedagogas, fonoaudiólogas, terapeuta ocupacional, nutricionista, treino de atenção e outros. O tratamento para o adolescente portador de TDAH é semelhante ao tratamento da criança, porém por se tratar de uma fase de transição para a vida adulta, o próprio tratamento acaba, também, tendo algumas características do tratamento do adulto.  Já o tratamento do portador de TDAH adulto, após a avaliação, é realizado em conjunto com o médico psiquiatra e o psicólogo, sendo necessário que ambos tenham grande conhecimento no transtorno. É importante ressaltarmos que assim como a criança e o adolescente, nem todos os adultos terão necessidade de tomar a medicação.

marcador 5.  As escolas em geral sabem lidar com criança com TDAH?

Infelizmente, as escolas em geral não sabem lidar com as crianças portadoras de TDAH por não terem o entendimento que existe uma variação na intensidade do transtorno e que além de existirem os tipos de predominância do transtorno existem os subtipos que direcionaram as características comportamentais do indivíduo.

marcador 6.  O que fazer para melhorar essa realidade?

Em primeiro lugar, a informação e o conhecimento sobre a temática já auxiliaria na mudança inicial das dificuldades encontradas pelo portador de TDAH. Uma segunda etapa seria a união dos profissionais direcionando o foco de trabalho para o de equipe com um único objetivo: auxiliar o aluno/paciente. 

marcador 7.  Para a família que não tem condições de pagar terapeutas existe tratamento gratuito?

Pelo Sistema Único de Saúde (SUS) encontramos o atendimento com o neuropediatra (para as crianças e adolescentes) e com neurologistas ou psiquiatras (para os adultos). Infelizmente, nem sempre o profissional terá o conhecimento necessário para avaliar o portador de TDAH, porém essa não é uma realidade encontrada somente no SUS.  Já o tratamento psicológico oferecido pelo SUS nem sempre será da abordagem teórica mais indicada para o portador de TDAH, no caso a terapia Cognitivo-Comportamental, e, também, nem sempre o profissional será especializado no transtorno, podendo não saber conduzir da melhor maneira o tratamento. Os planos de saúde também oferecem os atendimentos médicos (neuropediatra, neurologista, psiquiatra) e psicológicos, mas, é necessário que o paciente certifique-se de que o profissional seja conhecedor no assunto.  A psicoterapia oferecida pelos planos de saúde, que trabalham com as normas da Agência Nacional de Saúde (ANS), determina a liberação de 12 sessões de psicoterapia por ano para os conveniados, sendo insuficiente para o acompanhamento dos portadores do transtorno.

marcador 8.  Dê algumas dicas para os pais lidarem com crianças com TDAH.

A primeira dica para os pais das crianças e adolescentes portadores de TDAH é de que não existe uma única metodologia de tratamento. O carinho e a paciência são fundamentais para ajudar o portador do TDAH. Os pais precisam entender que existe um problema real – um transtorno. Disciplina e regras ajudarão a criança e o adolescente a aprenderem por si próprios se organizarem e enfrentarem as dificuldades vindas diariamente. A prevenção de prejuízos futuros ainda é o melhor tratamento para o portador de TDAH.
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