Incompreendida...

Há alguns dias tenho chorado muito. Um misto de alívio, com preocupação e tristeza. Meu filho está com 11 anos, fará 12 em maio. Sou divorciada desde que ele tinha 3 anos e até os 6 anos da vida dele dedicava praticamente todo meu tempo ao cuidado dele e da irmã mais nova. Quando decidi retomar minha carreira e assumi um novo emprego, Maurício começou a apresentar problemas comportamentais, tinha problemas na escola, ficou impulsivo, agressivo e começou a não obedecer ordens nem minhas, nem do pai e nem da escola. Decidimos, eu e o pai, começar psicoterapia e homeopatia, mas no fundo eu sentia que tudo estava acontecendo por culpa minha, por ter assumido um trabalho e deixado de dar a atenção que eu julgava que ele precisava. O que eu estranhava era que a irmã lidava com essa mudança de uma forma muito mais tranquila, mas... os filhos são diferentes uns dos outros. O tempo foi passando e ao invés de melhorarem, as coisas começaram a piorar a cada dia. A cada dia era mais difícil lidar com o Maurício. E há uns 3 anos atrás ele começou a inverter alguns ocorridos, sempre minimizando o que ele havia feito e exacerbando muito os castigos. Era muito mais fácil pro mundo acreditar, apesar de não ser verdade, na versão da "criança que não mente e é punido violentamente pela mãe por coisinhas pequenas que aprontava" do que acreditar na mãe cansada, e sem saber como lidar com o filho, que não tinha com quem contar, cheia de culpas. Toda essa manipulação do Maurício gerou um conflito imenso entre mim e o pai dele, chegando a culminar na minha perda de guarda de meus filhos devido à acusações de maus-tratos baseado nos relatos do Maurício. Quando foi morar com o pai a situação ficou ainda pior, porque ajuntado a tudo, Maurício passou a ter dificuldade de lidar com minha ausência e quebra do vínculo da convivência diária comigo. A coisa ficou insustentável e o pai atribuía toda a culpa a mim, porque acreditava que realmente eu fizesse tudo o que o Maurício relatava. Só que quando foi morar com o pai, inverteu-se a situação. Agora ele relatava pra mim maus tratos sofridos pelo pai e pela madrasta. Foi então que percebi como ele transformava a situação pra que tudo ficasse favorável à ele.

Nesses últimos dois anos vivi um verdadeiro inferno. Quase morri de tanta tristeza quando as crianças foram tiradas de mim, principalmente devido à acusações mentirosas. Além disso, sofri demais por não concordar com vários diagnósticos absurdos que deram à ele. Maurício tomou 3 tipos de medicação controlada que foram erroneamente prescritos a ele. Então, finalmente chegou a um psiquiatra que tem investigado à possibilidade de que meu filho tenha TOD. Quanto mais leio a respeito, mais acredito que as características de meu filho se encaixam no diagnóstico. Não sei nem como definir o que ando sentindo... Apesar de toda preocupação e tristeza que esse diagnóstico me traz por saber que efetivamente é um problema difícil de se lidar, sinto um alívio monstruoso por finalmente o pai perceber que me acusou injustamente e que tirou meus filhos de mim por algo que em momento algum foi minha culpa...

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